Blog do Guga

18mai2013

Relembre meu título em Roma, em 1999

Guga em ação contra Djokovic, no Maracanãzinho - Crédito: Rosane Bekierman

Tenho ótimas recordações do Masters Series de Roma – onde sempre contei com muito apoio da torcida – em especial da edição de 1999. Não só por ter erguido lá o quinto título da minha carreira, mas por ter alcançado dois feitos inéditos na minha trajetória até então: vencer três top 10 na mesma semana, incluindo minha primeira vitória contra um líder do ranking.

Naquele ano, cheguei a Roma como o 14º do mundo e confiante por ter vencido um dos dois outros Masters Series no saibro, em Monte Carlo, e por ter ajudado o Brasil a derrotar a Espanha, fora de casa, pela Copa Davis. Era a segunda vez que disputava o torneio italiano. Em 1998, então como o nono do mundo, ganhei quatro jogos e alcancei as semifinais.

Meu primeiro adversário em 1999 foi  o espanhol Fernando Vicente, que ocupava o 54º lugar no ranking e venci em sets diretos, por 6-4 e 6-3. Joguei bem os pontos importantes e sabia que ele ia lutar muito, mas eu estava concentrado, corri também e variei bastante os golpes.

Na rodada seguinte, outro representante da Armada Espanhola: Francisco Clavet, então 21º do mundo. Minha vitória foi por duplo 6-3. Apesar do placar, foi uma partida equilibrada. Joguei com inteligência, variando bastante, e saquei muito bem.

Para avançar às quartas de final, sabia que teria de me superar, já que meu rival seria o russo Yevgeny Kafelnikov. Já havíamos jogado quatro vezes, com duas vitórias para cada. A torcida me incentivou bastante, me senti em casa e ganhei esse tira-teima por 7-5 e 6-1. Depois que salvei dois set points e ganhei a primeira série, me soltei, bati bonito e deslanchei. Joguei incrível no segundo set, bem profundo, deixando o cara o tempo todo no fundo da quadra pra ele não atacar.  Foi minha primeira vitória contra um número 1 do mundo.

Contra o eslovaco Karol Kucera (12º do mundo), na rodada seguinte, eu não estava jogando bem. Fui botando bola para o outro lado, trocando bastante e ganhei. Quando eu jogava melhor, o cara jogava melhor ainda. Foi uma vitória da garra. Ganhei porque lutei muito mesmo. Foi um jogo muito duro. Venci por 3-6, 6-4 e 7-5, perdendo meu único set naquela campanha, mas ganhando fôlego para seguir lutando pelo título.

Nas semifinais, tive pela frente o terceiro espanhol naquela semana: Alex Corretja, que ocupava o sétimo lugar do ranking. Sabia que seria outra batalha. E venci por 6-4 e 6-2.

O australiano Patrick Rafter, número 4 do mundo, foi meu adversário na final, que naquela época era decidida em melhor de cinco sets. Após 2h39m, ganhei por 6-4, 7-5 e 7-6(6). Na premiação, arrisquei algumas palavras em italiano, fiz questão de citar o ex-jogador de futebol Falcão, conhecido como o Rei de Roma, e dediquei o título ao gênio Larri Passos. Afinal, havia chegado cansado à cidade italiana naquele ano, mas ele preparou tudo para que desse certo. E deu.

Ainda cheguei à final em Roma nos dois anos seguintes. Mas, se o título não veio nessas duas vezes, quem sou eu para reclamar. Mesmo porque as campanhas em 2000 e 2001 me deram a confiança necessária para voltar a vencer em Roland Garros, logo após o torneio italiano.

Relembre meu título em Roma, em 1999
12mai2013

Feliz Dia das Mães!

Dona Alice Kuerten e Guga no Hall da Fama de 2012

A família é tudo em nossas vidas. Por isso, hoje é um dia muito especial. Dia de celebrarmos aquelas que não apenas nos dão a vida, como, muitas vezes, dão a vida por nós. São mulheres ao mesmo tempo batalhadoras, incansáveis, amorosas, inspiradoras, dedicadas, companheiras. Meus parabéns a todas as mães neste dia tão importante.

Deixo aqui meu agradecimento mais que especial à eterna ‘mãe número 1 do mundo’, como eu disse na conquista da Masters Cup de Lisboa em 2000. Deus foi maravilhoso comigo e com meus irmãos ao nos dar uma mãe tão especial, que sempre fez de tudo pela nossa família. É um orgulho enorme ser seu filho. Muito obrigado por tudo, mãe. Te amo!

Feliz Dia das Mães!
17abr2013

Relembre meu primeiro título em Monte Carlo, em 1999

Guga em ação na SGK 2012, contra Nicolas Lapentti - Crédito: Hermes Bezerra

Desde meu primeiro título de Grand Slam, em junho de 1997, que sempre tive ótimas recordações em torneios na França. Afinal, em nenhum outro país conquistei mais títulos: cinco dos 20 de simples. Além do tricampeonato em Roland Garros, tive a felicidade de conquistar duas vezes o então Masters Series (hoje Masters 1000) de Monte Carlo. A primeira vez que fui campeão nesse que é o segundo mais importante torneio no saibro foi em 1999. Então número 19 do mundo, enfrentei, na estreia, um amigo de infância: meu conterrâneo Márcio Carlsson. Seria a primeira vez que jogaríamos em um torneio válido pela ATP.

Eu estava feliz por ele ter furado o qualifying naquele ano, mas era sempre meio chato enfrentar um amigo e sabia que aquilo poderia acontecer em qualquer torneio. Joguei muito bem e venci por 6-1 e 6-3. O Márcio jogou bem o segundo set e os games foram bem disputados. Mas é assim que tem de ser, o Avaí superando o Figueirense.

Brincadeiras à parte, eu sabia que a segunda rodada seria das mais difíceis, contra o tcheco Boldan Ulihrach. Iríamos fazer um tira-teima, já que, até aquela partida, cada um tinha vencido uma vez. Ganhei por 6-7 (5), 6-2 e 6-4, foi um jogo duro. Eu saquei bem, mas ele estava devolvendo muito. Tive 4/2 e 5/4 no primeiro set, com chance de fechar, mas perdi e ele acabou ganhando o tie-break. Entrei com tudo no segundo e o terceiro foi de igual para igual, só que joguei melhor no finalzinho.

Nas oitavas de final, voltei a enfrentar um brasileiro. Fernando Meligeni sempre foi um grande amigo e estava jogando muito bem. Venci por 6-2 e 7-6(2).

Meu adversário nas quartas de final foi o americano Vince Spadea. Voltei a me sentir bem em quadra e venci em sets diretos, agora por duplo 6-3.

Enfrentar espanhóis no saibro sempre foi um desafio, até porque eles são especialistas nesse piso. Mas, nas semifinais, derrotei Felix Mantilla (número 17 do mundo), de virada, por 3-6, 6-3 e 6-4. Fiquei muito feliz, alcançava ali minha primeira final na temporada. Meu objetivo, a partir daquele momento, era entrar com tudo para tentar ganhar o título.

O adversário na decisão era outro adversário mais bem rankeado do que eu na época, o chileno Marcelo Ríos, 13º do mundo. Eu estava vencendo por 6-4 e 2-1, quando ele, infelizmente, teve que abandonar o jogo, com uma lesão na coxa direita.

Recebi meu quarto troféu de simples (o primeiro de Masters Series) das mãos do príncipe Albert e foi uma enorme emoção cantar o hino nacional e citar o Ayrton Senna  na premiação. Tinha certeza de que a torcida brasileira, naquele momento, ficou tão feliz quanto eu. E foi muito bom estar lá e ver a bandeira do meu país no alto. A última vez que a vi lá tinha sido com o Senna e estava feliz por ter feito isso também.

Relembre meu primeiro título em Monte Carlo, em 1999
16abr2013

Um Brasil x Alemanha especial para mim

Guga na exibição contra Djokovic, no Maracanãzinho - Crédito: Rosane Bekierman

Eu era um tenista juvenil, tinha 15 anos, e o confronto Brasil x Alemanha, em 1992, no Rio, foi a minha principal lembrança da Davis na juventude. Naquela semana eu estava jogando torneio da gira Cosat, fora do Brasil, mas, mesmo a distância, procurava acompanhar os resultados. Seguramente foi uma vitória surpreendente, superando Boris Becker e companhia. Certamente está entre as maiores conquistas do Brasil na Davis. A partir daquela vitória, comecei a alimentar o sonho de um dia fazer parte da equipe brasileira.

Quatro anos depois, realizei o sonho e tive o privilégio de jogar pela primeira vez o torneio, nas duplas, ao lado do Oncins, contra o Chile. A Davis sempre foi muito especial para mim.

O Brasil voltará a enfrentar a Alemanha, mais de 21 anos depois, pelo playoff da Davis, de 13 a 15 de setembro, fora de casa. A equipe alemã é forte, merece todo o respeito, mas nosso time vem mostrando sua força, como no confronto contra os EUA, quando levamos para o quinto jogo.

Ao longo de meus 13 anos como profissional, venci cinco dos seis jogos contra o atual número 1 da Alemanha, Tommy Haas (14º do mundo). As vitórias foram nos Masters Series de Roma (em 1998), Cincinnati (99 e 2001), Monte Carlos (2001) e em Los Angeles, há 12 anos.

Um Brasil x Alemanha especial para mim
9abr2013

Obrigado, amigos!

Guga recebendo o carinho de pequenos fãs - Arquivo

Galera, sempre fiz questão de afirmar que o carinho que recebo de vocês desde o primeiro título em Roland Garros, em 1997, é um dos maiores troféus da minha vida profissional. É muito gratificante ver que todo o esforço ao longo dos meus 13 anos como profissional valeu. E como valeu!

É muito gratificante compartilhar e continuar minha trajetória junto a vocês aqui no Blog, Twitter, Face, site, rodeado de imenso carinho e incentivo de todos.

Também é motivo de extremo orgulho saber que esse contato e aproximação serve de inspiração para muita gente e reciprocamente contagia-me para buscar e superar novos desafios.

Assim, fica claro pra vocês perceberem a importância desse espaço para mim. Local onde encontro meus torcedores, admiradores, fãs e, acima de tudo, meus amigos.

Enfim, deixo aqui meu muito obrigado e um abraço especial para a galera de Timbó, SC, que recentemente utilizou nosso Blog para pesquisa num projeto escolar!

Valeu, galeraaa, abssss!!!

Obrigado, amigos!
8abr2013

Terceira Escolinha Guga em Florianópolis

Rafael Kuerten, José Guayanaz de Lima (Presidente do Lira), Vilson Coelho (Diretor de Tênis do Lira) e Antônio Hammes ( Gestor do Projeto Escolinha Guga) - Crédito: Fátima Damaceno

Florianópolis vai ganhar uma nova unidade da Escolinha Guga, que já conta com dois endereços na Capital (ASTEL e AABB de Coqueiros). Na última sexta-feira (05/04), o presidente do Grupo Guga Kuerten, Rafael Kuerten, assinou contrato para implantação da terceira Escolinha Guga, na capital, com um dos clubes mais tradicionais no da cidade:  o LIRA Tênis Clube. Durante o evento de assinatura, o presidente do Lira Tênis Clube, José Guayanaz de Lima, conversou por telefone com o tricampeão de Roland Garros que saudou a parceria e garantiu que em breve voltará a treinar nas quadras do clube.

As aulas na Escolinha Guga que conta com metodologia de ensino desenvolvida especialmente para iniciação ao tênis, para crianças de 5 a 10 anos, estão previstas para o dia primeiro de agosto. “A ideia da Escolinha é colaborar para a criação de um método de ensino ”brasileiro” para o tênis. O tempo todos estamos estudando, buscando novas informações para passar para os professores”, explicou Rafael que também destacou que a Escolinha Guga encontrou um “ótimo parceiro”.
Além das unidades em Florianópolis, a Escolinha Guga atualmente está presente nas cidades de Criciúma, Brasília e Recife.

Terceira Escolinha Guga em Florianópolis
3abr2013

Relembre os principais jogos entre Guga e Kafelnikov

Kafelnikov e Guga durante a SGK de 2010 - Crédito: Marcelo Ruschel

Ao longo de seus 13 anos como profissional (de 1995 a 2008), Guga conquistou 358 vitórias em 553 partidas. E nenhum outro adversário enfrentou tantas vezes o tricampeão de Roland Garros quanto o russo Yevgeny Kafelnikov: 12, com sete vitórias do brasileiro.

Ex-número 1 do mundo, posto alcançado em 1999, o tenista russo colecionou, entre seus 26 títulos de simples, Roland Garros, em 96, Aberto da Austrália, em 99, e o ouro olímpico, em Sydney, na temporada seguinte.

- O que ele fazia com a bola de tênis era impressionante. Ele é um cara que fez demais também, que eu admirei muito – reconheceu o brasileiro.

Uma curiosidade sobre os 12 jogos entre Guga e Kafelnikov foi que eles se enfrentaram nas três vezes em que o brasileiro foi campeão em Roland Garros. Na primeira, em 1997, a dramática vitória de virada em cinco sets, por 6-2, 5-7, 2-6, 6-0, 6-4, em 2h30m, valeu vaga às semifinais.

- Foi o jogo que mais temi naquela campanha. Minha expectativa era bem conservadora. Ali o buraco parecia ser mais embaixo. O fundamental foi que iniciei muito bem. Se ele começasse me massacrando, teria me intimidado, com certeza absoluta – recorda Guga.
Aquela foi a primeira vitória do brasileiro em dois jogos contra o rival. No duelo seguinte, em New Haven, em 98, Kafelnikov voltou a vencê-lo. Mas, a partir dali, o irmão de Rafael Kuerten emplacou três vitórias seguidas pra cima do russo: nos Masters Series de Indian Wells (0-6, 7-6 e 6-3) e de Roma (7-5 e 6-1), ambos em 99.

No ano seguinte após a vitória no torneio italiano, Guga e Kafelnikov voltaram a se enfrentar em Roland Garros.  De novo nas quartas de final e com uma vitória de virada em cinco sets, dessa vez por 6-3, 3-6, 4-6, 6-4 e 6-2, em três horas de jogo.

Ainda em 2000, eles voltaram a se enfrentar outras duas vezes. Nas quartas de final das Olimpíadas de Sydney, o russo levou a melhor (6-4 e 7-5). Mas, na última rodada da fase de grupos da Masters Cup de Lisboa, Guga voltou a levar a melhor sobre o adversário, agora por 6-3 e 6-4, em apenas 1h09m.

O nono duelo entre esses dois ex-líderes do ranking mundial foi uma reedição do que tinha acontecido em 97 e três anos depois em Roland Garros. Dessa vez em 2001, novamente nas quartas de final em Paris, Guga se impôs, com a diferença de que não precisou jogar cinco sets. Por 6-1, 3-6, 7-6 (3), 6-4, em 2h32m, o tenista catarinense vencia e chegava pela terceira vez às semifinais de um Grand Slam.

Rivalidade dentro de quadra à parte, o respeito sempre foi recíproco entre Guga e Kafelnikov. E ao perder pela terceira vez para o adversário em Roland Garros, o russo disse:
- É difícil jogar atrás (no placar) contra um jogador como Gustavo o tempo todo. Se você dá liberdade, ele é como Picasso. Ele faz esquerda na paralela, esquerda cruzada, tudo.

O tricampeão de Roland Garros ficou lisonjeado com o elogio:
- Esse nível de comparação para mim é imensurável porque é um cara que entende, que sabe o que fala. Então isso tem um valor enorme.

Guga e Kafelnikov se enfrentaram outras três vezes como profissionais, ainda em 2001: o brasileiro venceu no Masters Series de Cincinnati  (6-4, 3-6 e 6-4) e o russo levou a melhor no US Open (6-4, 6-0 e 6-3) e na Masters Cup de Sydney (6-2, 4-6 e 6-3).

Em 2010, praticamente nove anos após o último jogo entre os dois, o tricampeão de Roland Garros e Kafelnikov se enfrentaram em uma partida-exibição na Semana Guga Kuerten, em Florianópolis.E o anfitrião venceu por 6-3 e 7-6.

Relembre os principais jogos entre Guga e Kafelnikov