Blog do Guga

13jun2012

Guga e a entrevista ao site oficial de Roland Garros

Guga em foto de arquivo - Fernando Willadino

Em comemoração aos 15 anos do primeiro título em Paris, Guga passou a última semana com a agenda cheia em Roland Garros. Foram diversas atividades, entre entrevistas, ações promocionais com a Lacoste e homenagens ao tricampeão.

Ao site oficial do torneio, em entrevista que foi um dos destaques semana passada, Guga relembrou a campanha de 1997. Perguntado sobre quem era aquele jovem magro, alto, número 66 do mundo que ficou com o título em 1997, Guga respondeu:

- Era o mesmo de hoje, alguém que queria se divertir jogando tênis. A diferença é que não tinha perspectivas, nenhuma meta específica na carreira. Não tinha ideia para onde queria ir, nem mesmo o que era Roland Garros. Foi estranho porque eu amava tênis, era tudo o que eu poderia pensar a respeito, mas, ao mesmo tempo, sabia muito pouco. Eu só descobri Roland Garros quando eu tinha 15 anos. Quando cheguei aqui em 97, era apenas minha segunda vez. Nunca tinha vencido uma partida aqui. E, depois, cheguei sem pressão, sem expectativas, e ganhei o torneio! É por isso que tenho uma relação incrível com Roland Garros. Foi amor à primeira vista. Assim que cheguei aqui nesta semana, senti a energia positive, a felicidade e sorte de ter tanta interação com os fãs.

Guga também foi perguntado sobre o que faria se pudesse voltar no tempo até 1997. O tricampeão respondeu:

- Amaria repetir minhas vitórias. Seria ótimo. Um dia foi melhor que o outro e a vitória na final foi realmente especial, me deu algo pelo qual sou grato. O torneio todo foi ótimo. Vencer na segunda rodada foi realmente incrível. Depois, derrotei (Thomas) Muster, uma lenda do saibro! E, depois, (Andrei) Medvedev, e (Yevgeny) Kafelnikov na quadra central (seguido por Filip Dewulf nas semis e Sergi Bruguera na final) – aquilo foi maluco! Cada partida, cada dia foi incrível. Então, não poderia escolher um momento, escolheria todos os 14 dias.

Questionado se alguém imaginava que ele pudesse fazer aquilo antes do torneio, Guga respondeu, rindo:
- Nem eu.

Nem mesmo o técnico Larri Passos acreditava, recorda Guga:

-   O objetivo era bater meu recorde em Grand Slams e vencer duas partidas. Aquela era a meta.

O ex-número 1 do mundo negou que sinta nostalgia ao relembrar seus momentos de glória no saibro sagrado, em especial a de 97:

- São ótimas lembranças, mas não estou triste. Você apenas tem que aceitar que não vai mais acontecer novamente. Seria ótimo, mas o passado é passado.

Quando um atleta se despede na França, costuma-se dizer que ele ou ela ‘morreu um pouco’. Guga respondeu se sentiu o mesmo em  2008:

- Um pouco. Foi o fim de uma parte da minha vida e eu sabia que não iria mais experimentar aquilo novamente. Mas não tive escolha, minha lesão me impediu de jogar. Foi o único caminho a seguir. Era tempo de traçar novas metas e fazer algo a mais.

Como atuar?

- Tentei por curiosidade e também entrei para a universidade, para fazer parte de um mundo que eu não conhecia. Mas me dei conta rapidamente que me faltava o tênis. Depois de seis meses, me envolvi em projetos relacionados ao tênis no Brasil.

Guga voltou a falar sobre as dores no quadril:

- Infelizmente estou um pouco limitado, não posso jogar mais de quatro, cinco partidas no ano. É frustrante. Gostaria de jogar mais, mas meu corpo não deixa. Tenho que escolher bem minhas partidas e jogar contra caras que realmente fizeram a diferença em minha carreira.

Então, você vai enfrentar Novak Djokovic no Rio, em novembro?

- Antes vou jogar contra Nicolas Lapentti durante a Semana Guga, em Florianópolis. Ele é meu amigo, o cara que esteve mais próximo ao longo da minha carreira. Depois, sim, Djoko irá ao Brasil. Mas com ele do outro lado, você tem que estar preparado. Ele é o número 1 do mundo!

Por fim, Guga foi perguntado se poderia dominar jogadores como Djokovic ou Nadal. O tricampeão respondeu:

- É difícil dizer. O nível é diferente e estou certo de que meu jogo também seria melhor, se estivesse jogando contra alguém como Nadal. Poderia batê-lo? Não sei, mas daria sufoco nele.

 

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